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quinta-feira, 10 de junho de 2010

HEROIS DO MAR - "Saudade/Brava Dança dos Heróis"


A: "Saudade"




B: "Brava Dança dos Heróis"




[Polygram - 1981]

Dia 10 de Junho, Dia de Portugal e das Comunidades, mais uma vez o VIVA80s dá lugar aos portugueses, e que portugueses!
Há quem diga que a musica moderna portuguesa, começou com o aparecimento dos HERÓIS DO MAR. Algo que embora possa parecer exagerado, não sei se não é uma absoluta verdade.
A postura, a estética visual e sobretudo musical, marcou uma verdadeira mudança na musica deste país.
Há pouco tempo o site "Museu do Boom do Rock Português", pediu-me para dar o meu "top 5" dos álbuns e singles daquele período e a minha escolha recaiu, precisamente, no álbum estreia dos HERÓIS DO MAR. Acreditem que não foi uma escolha inocente. Foi sim, baseada no que todos aqueles discos, editados por aqueles dias, acabaram por representar no futuro e como podem ser vistos com olhos de 2010.
Neste caso, esse trabalho dos HERÓIS DO MAR, mesmo sem muita gente ter dado por isso, acabou por ser o mais marcante, condicionando e indicando rotas, para os que viriam posteriormente a trilhar o caminho da musica moderna nacional.
Mas também o fiz pela diferença, pois ao contrário do que agora acontece, os HERÓIS DO MAR sempre assumiram a sua portugalidade, mas não num contexto de olhar para o passado e fazer disso bandeira. Pelo contrário, e é isso que hoje mais me fascina, a sua obsessão com as origens, é certo, mas sempre focados no presente e sobretudo no futuro.
No lote de temas desse primeiro álbum, dois fizeram parte deste single, tendo a cara-A sido preenchida pelo sempre melodramático "Saudade", sentimento mais que nacional, e o lado-B ocupado pelo não menos excelente "Brava Dança dos Heróis", tema que no dia de hoje, 10 de Junho, ganha ainda mais significado.
Terminado com uma questão:
- Para quando o lançamento em DVD do excelente documentário "Brava Dança"?

segunda-feira, 24 de maio de 2010

TROVANTE - "Saudade"






[EMI/VC - 1983]

Depois de uma longa paragem e completa ausência dos palcos, os TROVANTE regressaram este passado fim de semana, com a actuação que marcou a sua passagem pelo Rock In Rio Lisboa 2010.
Nunca foi um grande fã da banda, talvez o tema que me tenha despertado mais interesse, tenha sido o "125 Azul", possivelmente pela sua veia mais "pop", em detrimento da musica popular portuguesa, mas reconheço o papel importante que o agrupamento de Luís Represas e do meu conterrâneo João Gil, teve na musica portuguesa dos anos 70 e 80.
Este "Saudade", que certamente era o sentimento dos muitos seguidores que os foram ver ao vivo ao Parque da Bela Vista, foi editado em 1983, faz parte do álbum "Cais das Colinas" e recordo-me de o ter ouvido pela primeira vez no programa "Vivámusica", que Jorge Pego apresentava na RTP e depois no seu "TNT-Todos No Top", que diariamente produzia na Rádio Comercial.

DOCE - "For The Love of Conchita"






[Polygram - 1983]

Depois de vários êxitos em português, as DOCE tentaram a sua sorte em inglês, com o intuito de atacar o mercado internacional.
O primeiro o lançamento dessa nova fase foi este single de "For The Love Of Conchita", que contou no lado B com "Choose Again", tema que também deu bastante nas vistas.
O disco não alcançou a mesma popularidade de "Amanhã de Manhã" ou "Doce" ou ainda "Ali-Bábá" ou "Bem Bom", mas recordo-me de ser um dos temas mais pedidos nos famosos e lendários "discos pedidos" "Quando O Telefone Toca". Nesse mesmo programa, também o tema do Lado B era pedido pelos ouvintes.
"For The Love Of Conchita", na minha opinião, sofre de uma demasiada colagem à estética sonora dos suecos ABBA, numa altura em que o próprio quarteto já tinha arrumado as botas e em que o mercado se virava agora para outras tendências.
Mesmo assim, Fá, Teresa, Lena e Laura, estas duas últimas, capazes de dar à letra de "Eu Tenho Dois Amores" de Marco Paulo, todo o seu verdadeiro sentido, demonstram nesta primeira incursão pelo inglês, a sua enorme capacidade e talento, que lhes poderia e deveria ter valido o reconhecimento internacional. Tudo isto, muitos anos antes de rebentar o verdadeiro fenómeno global das "girls band". Até nisso, as DOCE estiveram muito à frente do seu tempo.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

MLER IFE DADA - "L' Amour... Va Bien Merci"






[Ama Romanta 1986]

Depois da vitória no Concurso de Musica Moderna do Rock Rendez-Vous, da edição do disco que premiava a vitória nesse concurso, o maxi-single "Zimpó", e da mudança de vocalista da banda, os MLER IFE DADA regressaram em 1986, através de "L' Amour... Va Bien Merci".
Primeiramente o tema apareceu no alinhamento de "Divergências", compilação que agrupava os projectos da editora de João Peste, mas foi depois editado em single, onde constava do labo B, outro tema que se tornou bastante popular na altura.
Esse tema era uma recriação dos MLER IFE DADA para o clássico de Madalena Iglésias; "Ele e Ela". Tanto o tema do lado-A, como este do lado-B, deste disco, acabaram por ser tornar êxitos de rádio, tendo inclusive, alcançado os primeiros lugares nos tops do "Lusoclube" e do "Ocidental Praia", ambos programas dedicados exclusivamente à nova produção nacional da altura.
Aquando da gravação e edição deste "L' Amour... Va Bien Merci", os MLER IFE DADA eram constituídos por; Anabela Duarte, Nuno Rebelo, José Garcia, António Garcia e José Pedro Lorena, a mesma formação com que viriam a gravar "Coisas Que Fascinam".

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Varios Artistas - "Abraço a Moçambique"






















[EMI - 1985]

Este post foi movido para o nosso novo site, para o consultar clique no link:
http://www.viva80.pt/Discos.aspx?tab=1&id=517

ABRAÇO A MOÇAMBIQUE

Tanta água nos separa
Tanta água e basta um passo
P'ra que a morte esconda a cara
Ao sentir o nosso abraço

Uma ponte assim estendida
Vai mais longe que os jornais
Rasga o espaço rumo à vida
Contra a fome e muito mais

Quero ver aí a semente azul da paz

Água pouca em terra dura
Quando a seca tira o pão
É doença que tem cura
No abraço de um irmão

Que é do riso dos meninos
Que é da música dos pais
Se cantar é o meu destino
Contra a fome é muito mais

Quero ver aí a semente azul da paz

Vamos abrir outro mar
Fazer a ponte cá dentro do peito
Dar um abraço que é dado a cantar
E o mar fica assim mais estreito

Vamos abrir outro mar
Fazer a ponte cá dentro do peito
Dar um abraço que é dado a cantar
E o mar fica assim mais estreito

Tanta água nos separa
Tanta água e basta um passo
P'ra que a morte esconda a cara
Ao sentir o nosso abraço

Uma ponte assim estendida
Vai mais longe que os jornais
Rasga o espaço rumo à vida
Contra a fome e muito mais

Quero ver aí a semente azul da paz

Vamos abrir outro mar
Fazer a ponte cá dentro do peito
Dar um abraço que é dado a cantar
E o mar fica assim mais estreito

Vamos abrir outro mar
Fazer a ponte cá dentro do peito
Dar um abraço que é dado a cantar
E o mar fica assim mais estreito.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

VIVA80TV: "Essa Entente - Pets-De-Loup" (Mapa Cor de Rock-RTP)


Actuação dos ESSA ENTENTE, no programa da RTP, "Mapa Cor de Rock", quando estávamos no ano de 1989.
O vocalista do grupo, Paulo Riço, tal como eu, o João Gil, a Eugénia Melo e Castro, etc... é natural da cidade da Covilhã, onde, por acaso, me encontro neste momento.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

T-SHIRTS - "A Febre da Bola"


[Edisom - 1981]
Este post foi movido para o nosso novo site, para o consultar clique no link:
http://viva80.pt/Discos.aspx?tab=1&id=688

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

JOÃO HEITOR - "Pinóquio"







[Dacapo - 1984]

Já aqui tinha feito referência a este disco, precisamente no dia em que o adquiri, aqui numa feira de velharias na Costa da Caparica.
É um maxi-single com 2 temas, embora a capa não apresente a data de edição, segundo as minhas pesquisas, deve de ter sido no ano de 1984.
JOÃO HEITOR fez parte dos Da Vinci, tendo sido um dos fundadores do grupo, juntamente com Pedro Luis e Lei D'Or. Com a banda, JOÃO HEITOR gravou os mais interessantes trabalhos do grupo, onde se inclui, claro, o álbum "Caminhando".
Em 1983, depois da edição de "Xau Xau de Shangai", Heitor sai dos dos Da Vinci.
Um ano mais tarde, com selo da editora Dacapo, por onde passou António Sérgio, JOÃO HEITOR editou este "Pinóquio".
No disco o musico contou com as participações de João Maló, Zé da Ponte e Luís Pedro Fonseca, tendo a produção ficado a cargo do próprio JOÃO HEITOR.
No lado-B do disco encontramos o tema "Flor D'Amor", mas tanto o tema que dá nome ao disco, como o que ocupa o lado 2, estão a anos luz do "synth-pop", bastante interessante, que Heitor registou com os Da Vinci.
Até me ter cruzado com este disco, apenas sabia da sua existência por uma noticia na TV Guia, há mais de 25 anos, que dava conta dessa intenção de lançamento. Mas nunca o tinha visto até então. A avaliar pela total ausência de referência ao mesmo, em toda a internet, leva-me a concluir que estamos perante mais uma "raridade" da musica portuguesa. É por caso como este, que realmente vale a pena ter um blog deste tipo.

domingo, 24 de janeiro de 2010

OPERA NOVA - "México/Western"


A: "México"




B: "Western"




[Polygram - 1984]

Segundo e último single dos portugueses OPERA NOVA, quando o grupo de "Sonhos", estava já reduzido a um duo formado por Braunyno da Fonseca e Pedro Veiga.
A fascinante sonoridade "synth-pop", que marcava o trabalho de estreia, foi ligeiramente posta de lado, para dar lugar a novas influências latinas e algum electro, o que, na minha opinião, se revelou um erro enorme.
Nestes dois temas do disco, "México" e "Western", a banda usou alguns instrumentos acústicos e contou com a participação de João Marques no trompete. Precisamente o instrumento que mais se destacou e que contrasta largamente, com o som que era apresentado no primeiro disco.
Este trabalho teve produção de António Pinho, mas ficou a anos luz da recepção obtida com "Sonhos". Este single acabou por se revelar o derradeiro intento, na carreira de grupo de Cascais.

OPERA NOVA - "Sonhos (versão maxi-single)"






[Polygram - 1983]

Há mais ou menos dois anos atrás, destaquei aqui no blog este tema dos portugueses OPERA NOVA. No entanto, como ficou com o audio indisponível, tomei a decisão de recupera-lo e traze-lo de volta à atenção de todos quantos visitam o VIVA80s.
Na minha opinião este é um dos melhores, se não mesmo o melhor exemplo, do que foi feito em Portugal em termos de "synth-pop".
Eu sempre fui um apaixonado por essa corrente musical, maioritáriamente vinda de Inglaterra, nos primeiros anos da década.
Ainda recentemente, a BBC exibiu um documentário obrigatório intitulado Synth-Brittania, onde se remonta às origens desse universo musical. Recomendo vivamente.
Devido a essa minha afeição ao estilo, sempre me empolgou o aparecimento de qualquer projecto nacional, que se dedicasse a esse genéro musical. Infelizmente não foram muitos os projectos locais a enveredar por esse caminho.
Convêm lembrar que nessa mesma época, por cá, era o rock que emergia com um "boom" enorme, de onde surgiam nomes como os de Rui Veloso, UHF, GNR, Grupo de Baile, Taxi, CTT, etc... etc... Não admira portanto, que tenha sido tão difícil acompanhar o que se fazia em Inglaterra. Mas houve algumas tentativas. Poucas mas houve.
A mais bem sucedida foi sem dúvida a dos Da Vinci, hoje, algo quase impensável, associa-los a esse período.
Quando apareceram estes ÓPERA NOVA e ouvi pela primeira vez este "Sonhos"", fiquei de imediato conquistado, corria o ano de 1983. Foi nesse ano que este disco teve edição em single e maxi-single (esta versão aqui apresentada), onde a banda contou com a produção de Carlos Maria Trindade, naquela altura, teclista dos Herois do Mar.
Os ÓPERA NOVA eram oriundos da zona de Cascais e formados por Luís Beethoven (voz), Pedro Veiga (teclas) e Manuel Andrade Rodrigues (teclas).
Na mesma altura em que saiu em disco, que ao que parece vendeu mais de 10 mil cópias, Luis Beethoven abandonou o grupo, o que se viria a tornar-se fatal.
Manuel Andrade Rodrigues já tinha também deixado de trabalhar com o grupo, tendo sido substituido por Braunyo da Fonseca.
Memorável era também o videoclip do tema, bem de acordo com a estética da banda, que me recordo de ter sido exibido no Vivamúsica, já lá vão mais de 26 ou 27 anos. Infelizmente desde então, nunca mais tive a oportunidade de rever esse teledisco. Uma pena!
Se alguém tiver essa raridade, talvez perdido em alguma VHS, faça o favor de colocar no YouTube. A malta agradece.
A banda já reduzida a duo grava mais um single, "Mexico/Western", mas comparado com este "Sonhos", é uma enorme frustração.
Nesse 2º single o grupo opta por outras incorporar outras sonoridades, mas revelasse um fracasso, o que acaba por conduzir os OPERA NOVA ao fim da sua existência.
A cerca de Luis Beethoven, veio a fazer parte de mais um outro projecto nacional no qual depositei esperanças, os F.A.S. (Fantásticos Abridões da Selva), mas que infelizmente não passou de boa intenção. Hoje, divide com Carlos Maria Trindade a existência dos "No Data".

sábado, 9 de janeiro de 2010

JORGE FERNANDO - "Umbadá"






[EMI - 1985]

Depois da participação no RTP-Festival da Canção de 1985, onde a vitória foi dada a Adelaide Ferreira e ao tema "Penso Em Ti(Eu Sei)", tendo ficado em 2º lugar, um horroroso tema chamado "Meu Amor, Minha Dor, Meu Jardim", de uma tal Eduarda, a verdade é o que o verdadeiro vencedor, mesmo que não oficial, foi o JORGE FERNANDO.
Se no concurso ficou em 4º lugar, fora dele, "Umbadá" foi o tema que mais popularidade alcançou, ao ponto de ter figurado na tabela de vendas de singles nacional, algo que nem o tema de Adelaide Ferreira conseguiu.
"Umbadá", alem de facilmente memorizável, tinha também um lado "soul", realçado até pelos 3 acompanhantes negros, à boa maneira "motown", que JORGE FERNANDO levou ao plateau do festival, o qual ajudaram conferir.
Esta foi a fase mais "pop", na carreira do ex-guitarrista de Amália Rodrigues, que teve sequência com o single "Lua, Feiticeira Nua", mas acabou por ser deixada de lado, uma vez que o fado é hoje o segmento em que se move JORGE FERNANDO.
Seja como for, "Umbadá" é um dos temas nacionais mais populares da década de 80 e isso não há quem lhe o tire.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

V/A - AO VIVO NO ROCK RENDEZ VOUS em 1984


[Dansa do Som - 1984]

Lado-A:
- Xutos e Pontapés - “Esquadrão da Morte”
- Xutos e Pontapés - “1º de Agosto”
- Croix-Sante - “The Life of He”
- Dead Dream Factory - “Candy House”
- Crise Total - “Assassinos no Poder”
Lado-B:
- F.A.S. - “Modernos Europeus”
- Casino Twist - “Corpos a Compasso”
- Culto da Ira - “Testamento”
- Ocaso Épico - “Intro”

De entre as edições nacionais de 1984, este LP que marcou também a estreia do selo Dansa do Som, é um verdadeiro documento da época.
Nele encontramos registos de bandas e projectos "underground", que na altura, marcavam o cenário musical português.
Esta é também a prova da renovação que se estava a dar longe dos olhares do grande publico, mas com passos firmes para voltar a colocar a musica de produção nacional, no lugar que tinha perdido com o fim do "boom do rock português".
Por esta altura, este genero de musica preferia ser conhecido como MMP (musica moderna portuguesa), até para se demarcar com o anterior cenário, conhecido como "rock português".
Neste disco de registos feitos na sala da Rua da Beneficência (que saudades!!!), podemos encontrar um pouco de tudo o que compunha o cenário alternativo nacional em 1984.
Dos Xutos&Pontapés, reis e senhores do Rock Rendez Vous, ainda longe da euforia colectiva e mais ainda, das condecorações como comendadores, até aos F.A.S. (Fantásticos Abridões da Selva), um dos poucos exemplos locais em continuar a produzir "pop electrónica", passando pelo "punk" rude dos Crise Total ou pelas sonoridades mais cinzentas e góticas dos Dead Dream Factory, Culto da Ira, Casino Twist ou ainda, das propostas nacionais mais originais que alguma vez conhecemos no nosso meio, os Ocaso Épico, até aos merecedores de melhor sorte Croix-Sante, tudo neste disco é histórico.
Esta edição abriu também apetite para outras aventuras, não só com selo da Dansa do Som (ui! de onde eu comprei dezenas de belos discos via CTT), mas também de outros projectos semelhantes. Sem este LP, acho que nunca teria havido, por exemplo, a Ama-Romanta.
25 anos depois, ouvir este "Ao Vivo No Rock Rendez Vous em 1984" (nunca passado para CD) é regressar à mítica sala de Lisboa e a uma época em que querer romper, era palavra de ordem. Longe das rádios, das TVs e sem internets, era assim que se construía a musica "moderna" em Portugal. Sem peneiras, sem estrelato, sem manias, sem poses treinadas ou estéticas manhosas, por vezes sem nenhuns meios, mas com muita alma, muita garra, muito coração e com dedicação do tamanho do mundo.
Foi assim que se fez história e este LP é todo ele, HISTÓRIA!

domingo, 20 de dezembro de 2009

RÃO KYAO - "Estrada da Luz"


[Polygram - 1984]

1. Canção da Manhã




2. Fado da Chegada
3. Savana
4. Canção do Trabalho
5. Mil e uma Noites
6. Tróia
7. Tu
8. Ondas.
9. Nascente (Parte I)
10. Nascente (Parte II)

Disco de RÃO KYAO para 1984, este "Estrada da Luz" sucedeu a "Fado Bailado", um álbum que tinha atingido o estatuto de Disco de Platina.
Neste álbum RÃO KYAO deixa o saxofone e dá espaço à flauta. Do disco emergem alguns êxitos, sendo maior de todos o tema "Canção da Manhã".
Quem não se recorda de ver RÃO KYAO no plateau do TOP DISCO, interpretando este tema, para ilustrar a sua presença na tabela de vendas portuguesa.
Eram outros tempos, em que gravar um teledisco, em Portugal, era visto como um luxo desnecessário.
No disco, RÃO KYAO conta com os arranjos e produção de Luis Pedro Fonseca e é acompanhado por um lote de notáveis músicos nacionais; António Pinho Vargas, Mário Barreiros, António Chainho, Rui Júnior, entre outros.

domingo, 13 de dezembro de 2009

XUTOS & PONTAPÉS - "Remar, Remar"






[Fundação Atlântica - 1984]

Ao contrário do que aconteceu com a musica internacional, 1984, em termos de produção discográfica nacional, foi um dos anos mais fracos da década.
Um ano com muito poucas edições nacionais, o que reflecte um pouco o que se passou no cenário "pop/rock" português, naquilo que ficou conhecido como "a ressaca do "boom" do rock português".
Isto porque, desde a edição e estrondoso sucesso de "Chico Fininho" tinham sido centenas e centenas as edições nacionais que chegaram ao mercado.
Com a saturação desse fenómeno, dá-se, como é habitual, o efeito contrário. 1984 foi um desses anos de contenção e de desconfiança, relativamente ao produto "pop/rock" português.
Mas na minha opinião, esse foi também o ano da mudança. O ano que se lançaram várias sementes, que haveriam de dar frutos já em 1987/88, com uma nova formada de grupos e projectos portugueses que deram à Musica Moderna Portuguesa a um rumo, conduzindo-a ao que hoje conhecemos.
Nesse ano de certa acalmia editorial, houve coisas boas a serem lançadas em Portugal. Agora já não tinham a adesão eufórica do publico, como tinha acontecido anos antes, mas essas edições demonstravam muito mais qualidade e vontade em trilhar um caminho, mesmo que mais difícil e afastado da ribalta, muito mais seguro e sustentado.
Um desses discos foi este single dos XUTOS & PONTAPÉS. Depois das aventuras na Rotação de António Sergio, depois do mal compreendido, mas histórico, "78/82", a banda de Kalú, Tim e Zé Pedro, regressa neste 7 polegadas, com 2 temas do melhor que o rock português conheceu.
Agora com selo da Fundação Atlântica, o selo nacional mais importante do ano de 1984, os XUTOS & PONTAPÉS editam "Remar, Remar", contendo como lado B o tema "Longa Se Torna A Espera". Ambas faixas tiveram produção a cargo de Ricardo Camacho.
Por esta altura, a banda era já alvo de um pequeno culto, sobretudo, junto do publico que frequentava o Rock Rendez-Vous. Mas os poucos programas de radio que passavam musica nacional, caso do "Cor do Som", começavam também a espalhar esse culto, um pouco por todo o país. Mas era algo muito pequeno, algo fechado, era um culto "underground", bem diferente do que se tinha passado com os Taxi, os UHF, o Rui Veloso, os GNR, etc...
Que dizer mais destes 2 clássicos?
"Remar, Remar", "Longa Se Torna A Espera", dois dos melhores momentos de sempre do "rock português", contidos neste pedaço de vinil.
Nestes menos de 10 minutos de duração, mas que nos oferecem mais, que uma ou duas dezenas de álbuns nacionais, publicados nas últimas duas décadas.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

LENA D'ÁGUA - "Sempre Que o Amor Me Quiser"






[EMI/VC - 1984]

Um dos maiores êxitos nacionais de 84 e um dos grandes clássicos da música "pop nacional", este "Sempre Que O Amor Me Quiser", faz parte do LP "Lusitânia", editado com bastante sucesso pela LENA D'ÁGUA e a sua Banda Atlântida.
Este foi também lançado em single e é um dos momentos obrigatórios, em termos nacionais, quando se faz uma abordagem ao ano de 1984.
Referir que a letra do tema, ao contrário do que se pode ler na net, não foi escrita por Jorge Palma, outro dos nomes incontornáveis da musica nacional das últimas 4 décadas, mas sim por Luís Pedro Fonseca. Informação dada e confirmada, nos comentários deste post, pela própria Helena. (Muito Obrigado Lena!!!)
LENA D'ÁGUA mantêm hoje um blog na net, onde além dos seus momentos e pensamentos, partilha com todos nós a sua música. Por ele ficasse também a saber, que a Helena voltou à escola, é hoje professora de música do 1º ciclo. Sortudos são os alunos, que podem beneficiar de ter uma professora do calibre, de alguém como a LENA D'ÁGUA.

LENA D'ÁGUA - "Lusitânia"


[EMI/VC - 1984]

Lado-A:
1. Ajinomoto
2. É ao Mar Que Eu Pertenço
3. Eu Tenho Um Sonho
4. Foi Ele
Lado-B:
1. Olimpo
2. perto de Nós
3. Proibido
4. Quando Vem do Amor
5. Sempre Que o Amor Me Quiser
6. Trabalhar Pra Ganhar a Vida

Um dos discos nacionais, que mais sucesso obteve em 1984, foi este álbum de LENA D'ÁGUA, intitulado "Lusitânia".
O disco contem um dos maiores sucessos da sua carreira a solo, o tema "Sempre Que o Amor Me Quiser", que foi também editado como single nesse mesmo ano, tornando-se também, umas das canções nacionais mais populares de 84.
O disco foi gravado com a sua Banda Atlântica, a mesma com que tinha gravado o LP anterior "Perto de Ti", recentemente reeditado em CD (finalmente!!) e mais alguns singles de sucesso como "Vigaro Cá, Vigaro Lá", "Jardim Zoológico", etc...
Para trás tinham também ficado os tempos que a cantora passou no Salada de Frutas, onde tinha dado voz, entre outros temas, ao clássico "Robot".
Neste "Lusitânia", editado no mês de Outubro de 84, LENA D'ÁGUA cantou temas com letras escritas por José Fanha, Jorge Palma, Eugénia Melo e Castro e Ronaldo Bastos e musicas compostas pelo seu "companheiro de carreira", Luís Pedro Fonseca.
Deste disco foi feita uma versão inglesa, mas a edição no estrangeiro nunca chegou a acontecer.
"Sempre Que o Amor Me Quiser" deu ainda à cantora, filha de um futebolista e irmã de outro, 3 assumidos benfiquistas, um "Se7e de Ouro", prémio atribuído pelo desaparecido semanário "Se7e".
Esse clássico foi por varias vezes regravado por outros artistas, inclusive, um grupo de Rap angolano, os SSP, em que a própria LENA D'ÁGUA colaborou.
Este LP, como podem ver pelas listas publicadas no TOP DISCO, andou pelos tops nacionais, vendeu bastante bem, mas, numa decisão que não se consegue compreender, com mais de 2 décadas em que o CD se tornou o formato discográfico dominante, este disco nunca conheceu edição neste formato.
Uma lacuna enorme! No meu ponto de vista, mais que isso, uma vergonha para a indústria discográfica nacional, sobretudo para os detentores dos direitos de tal obra.
Alem disso, este "Lusitânia",não só tem alguma da melhor "pop" feita em Portugal, como é um dos discos portugueses, com um dos mais bonitos "artworks" de sempre.
Depois fala-se em defender a música portuguesa, em se defender o cantar em português, as quotas de música portuguesa na radio, mas por outro lado, vivesse com situações patéticas como esta.
Infelizmente este "Lusitânia" nem é caso único nesta situação, o que é verdadeiramente lamentável!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

BAN - "Alma Dorida"


[EMI - Valentim de Carvalho]

Lado-A:
A1 Alma Dorida




A2 Pantomima




Lado-B:
B1 Ela Dança, Alva Luz
B2 Preparado - No Além

Em termos de produção nacional, este mini-LP, "Alma Dorida" dos BAN, foi um dos lançamentos mais importantes de 1984.
Apenas 4 temas, mas suficientes para centrar atenções nesta banda vinda do Porto, que tinha passado algo despercebida, a quando do lançamento do single "Identidade", ainda com o nome de Bananas.
João Loureiro e companhia destilam ao longo do disco, todas as suas influências oriundas da corrente "indie cinzenta", marcadamente Manchester. Tanto "Alma Dorida", como "Pantomima", acabam por ganhar a atenção de alguns programas de rádios, chamando a nossa atenção, para este novo grupo da Música Moderna Portuguesa.
Este trabalho acabará por se tornar único, uma vez que na edição seguinte, o já aqui falo maxi-single "Santa", levará os BAN por outros caminhos totalmente diferentes, bem mais "pop" e no futuro, muito mais dançáveis.
Mas isso é outra conversa. Por agora o que realmente importa realçar, é que este disco, embora curto, foi um dos melhores que a musica portuguesa nos deu em 1984.
Este disco há muito que está descatalogado, mas os 4 temas nele incluídos, podem ser encontrados no CD compilação intitulado "Documento 83-86", editado pelos BAN no ano de 1990.

sábado, 26 de setembro de 2009

XUTOS & PONTAPÉS - de volta ao Restelo


O XUTOS&PONTAPÉS regressam hoje ao Restelo. Desta vez, não ao Pavilhão do Restelo, mas sim ao Estádio do Restelo.
A banda mais mítica de sempre, do rock português, comemora o seu 30º Aniversário (é obra!), num concerto que promete ser, a maior produção de sempre da banda.
Para comemorar o facto, o VIVA80's regressa também ao Restelo, num video do mitico concerto de 88, do qual resultou o triplo-LP "Ao Vivo", do grupo de Tim, Zé Pedro, João Cabeleira, Kalu e Guí.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

RUI VELOSO - "O Negro do Rádio de Pilhas"






[EMI-VC - 1986]

Se recuarmos ao ano de 1986, mais ou menos por esta altura de Verão, não poderemos passar ao lado de "O Negro do Rádio de Pilhas". Tema ritmado e bem disposto, que fez com que RUI VELOSO conquistasse as pistas de dança.
Originalmente vem inclui em "Rui Veloso", álbum do mesmo ano que esteve para se chamar "os Bês pelos Vês" e onde Veloso conta com a produção de Ramon Galarza.
Este foi apenas um dos muitos êxitos e temas memoráveis, incluídos nesse mesmo álbum, mas de todos os mais ritmado e que melhor reflecte esta altura de calor, férias e muita diversão.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

UHF - "Mau Rapaz"






[Radio Triunfo - 1982]

Regressamos hoje ao período que acabou por ficar conhecido, como o "boom do rock português". Algo que me dá imenso gozo. Especialmente por recordar aqueles dias excitantes, devido à quantidade de música portuguesa que passou a surgir nas rádios, televisões e que passou também a ocupar espaço, nas poucas revistas da época. Eram os dias em que grupos e temas nacionais, ombreavam lado a lado, com as ultimas novidades vindas das ilhas britânicas e do Novo Continente.
Nos tops mais populares, como por exemplo o "TNT - Todos No Top", era perfeitamente banal, ver temas e bandas nacionais nos lugares cimeiros do mesmo, assim como também acontecia no top do "Rock Em Stock".
A adesão popular ao "rock português", ganhou contornos de verdadeira doideira.
Para um miúdo, como eu, que se iniciava, ou melhor, se entranhava a fundo neste mundo, do qual já mais sai, das musicas e dos discos, era uma época fabulosa. Durante muitos e muitos anos, mesmo depois do quase desaparecimento da produção discográfica nacional, após o colapso do "rock português", continuei a ser um fiel seguidor da música portuguesa.
Hoje, confesso que sigo muito menos a produção nacional, que embora mais bem produzida e polida, falha na imortalização das musicas, ao contrário de algumas do período do "boom", que conseguiram imortalizar-se para sempre.
Eram muitas as bandas da altura, dos Arte&Oficio aos Grupo de Baile, dos Rock&Varius aos GNR, dos Albatroz aos CTT, dos UHF ao Rui Veloso e a Banda Sonora, a oferta era imensa. Assim como artistas em nome próprio, Adelaide Ferreira, Kris Kopke, Gabriella Schaff, Lara Li, JTX, etc... ou outros que já vinham de trás, como os Tantra, Roxigénio... eu seguia todo este movimento de uma forma voraz.
Algumas musicas e artistas cairam no esquecimento, outros ainda hoje passam regularmente no éter radiofónico, aparecem em compilações, etc... etc...
Os UHF, tem desse tempo 2 temas inesquecíveis, "Cavalos de Corrida" e "Rua do Carmo". Dois mega-êxitos impressionantes!
Mas, há outras músicas da banda, que acabaram por quase cair no esquecimento. Uma dessas musicas, quase perdida, é este "Mau Rapaz". Um single que a quando da sua edição, teve o seu momento, tendo-se tornado em mais um êxito popular do grupo. Mas com o passar dos anos, todo o periodo da banda na editora Radio Triunfo, foi ficando para trás e esquecido pelas massas.
Penso que muito se deve ao facto, dos os álbuns editados nessse periodo, terem ficado fora do circuito comercial e como tal, nunca editados em CD e com isso contribuído para o seu quase esquecimento.
Felizmente nos últimos 2 anos, as coisas tem mudado um pouco, quer pela edição da "integral Valentim de Carvalho", editada pela ex-Som Livre, quer pelo próprio António Manuel Ribeiro, que tem editado, ele próprio, alguns álbuns perdidos da banda. Mas em ambos casos, fora do período e do reportório gravado e editado na Orfeu/Radio Triunfo, hoje propriedade da Movieplay.
São 3 os álbuns perdidos, desse período, que urge recuperar e tornar finalmente disponíveis, a novos e velhos públicos:
- Persona Non Grata
- Ares e Bares da Fronteira
- No Jogo da Noite (Ao Vivo em Almada)

Tema principal do álbum "Persona Non Grata", este "Mau Rapaz" é um clássico esquecido, por quem viveu e também se esqueceu, da primeira metade da década dos 80s e dos loucos anos do "boom do rock português".